Desejos de Ano Novo

Publicado em 5/1/12 às 11h19
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Depois de muito tempo sem escrever neste jornal que abrigou minhas primeiras crônicas, por delicadeza e oportunidade da vida, retorno para fazer parte desta equipe liderada pela querida Inez Valezi. Primeira edição de 2012, eis que recomeço e desejo a todos:

a) Um Ano Novo novinho em folha, percurso de 12 meses em que haja tempo para muitas alegrias, tempo a mais para a família, muitos planos, poucos enganos e uma colheita farta de afetos e amizades;
b) Um coração que queira compartilhar todo o Bem e nada pedir em troca;
c) Que pequenos e frágeis acontecimentos possam existir não para nos frustrar, mas para ensinar que a vida é breve como o voo de um inseto e que devemos caminhar em grupos, em vez de tão sozinhos;
d) Que saibamos olhar para além do que se encontra diante dos nossos pobres olhos, e enxergar, sobretudo, o que os outros sonham e dar a esse sonho o impulso para a concretização;
e) Que aprendamos a conjugar os verbos na primeira pessoa do plural, sempre;
f) Que sentados diante dos que vão conosco, conhecidos e desconhecidos, saibamos oferecer a primeira fatia, o primeiro prato, o primeiro lugar;
g) Que possamos reconhecer que o nosso tempo é Hoje, nosso lugar é Agora e que os instrumentos de uma orquestra só fazem a música perfeita porque tocam juntos, afinados, uma mesma partitura;
h) Que arrumemos gavetas, armários, conteúdos de velhas caixas e que disponibilizemos o que acumulamos demais, oferecendo o que excede a quem quase nada tem;
i) Que preservemos, em nome do futuro a que todos fazem jus, a Natureza, mãe de todos os seres, nuvens, florestas, mares e rios;
j) Que abandonemos nossos cigarros e nossos copos com álcool e enfrentemos a Vida de cara limpa, cabeça erguida porque contam conosco nas fileiras da frente e é tempo de mudanças para melhor;
k) Que nosso corpo, morada de nossa alma, seja tratado com respeito, alimentado com paciência e esperança; que cuidemos, enfim, de nossos cérebros , não apenas de nossos músculos;
l) Que saibamos sentir o quanto somos importantes para o Universo, nós, os humanos guardadores de sementes, ovos, óvulos, histórias, canções, tradições; nós, os inventores de leis e descobridores de vacinas, caminhos, oceanos. Nós, os que escrevemos livros e os que inventamos tecnologia a cada instante.
m) Nos lembremos de que a palavra Liberdade, a mesma que alimenta os nossos sonhos, abriga o sonho do Outro e que ela é necessária como a água e como o ar;
n) Que possamos olhar nos olhos dos que vão conosco sem medos;
o) Que se restabeleça a confiança entre as criaturas;
p) Que possamos nos descobrir mais tolerantes, mais gentis e menos aduladores;
q) Que, herdeiros de nós mesmos, saibamos plantar uma árvore, em vez de apenas desejar colher o fruto e lucrar com ele;
r) Que perdoemos com mais facilidade;
s) Que suportemos silenciosamente;
t) Que modifiquemos em nós o ser humano velho, rançoso, ranheta;
u) Que possamos rir de nós mesmos;
v) Que aprendamos cada dia uma palavra nova;
x) Que saibamos ouvir as crianças e nos lembrarmos que um dia fomos uma delas;
z) E, sobretudo, que aprendamos a nos perdoar porque só assim será possível perdoar o Outro.

Esther Rosado é professora de Literatura e Redação e autora de material didático para cursinho e Ensino Médio

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