Políticos, política, a rodoviária e uma ex-obra de arte

Publicado em 12/1/12 às 11h32
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Discordo frontalmente de que só existam políticos corruptos; há os indiferentes: aconteça o que acontecer, repetirão o eterno “Mas eu não sabia, eu não tenho nada com isso, foi no mandato passado, eu jamais gastaria dinheiro público com isso”. E, sorriso inocente no rosto, são capazes de terminar uma entrevista constrangedora dando tapinhas nas costas do repórter.

Discordo dos que imaginam que somente haja podridão na política; há os que lutam pelo bem comum, os que ainda acreditam na humanidade e que fazem leis que beneficiem os que jamais, por si mesmos, poderão se defender. Por isso, peço perdão público ao Romário que está no Congresso lutando pelo direito dos deficientes, não apenas porque tem uma filha com síndrome de Down, mas porque é um ser humano bom (e eu vivia dizendo que ele, como deputado, seria um ótimo jogador…)

Discordo dos que dizem que muitos entram na política como carreiristas e que não apresentarão projetos, não votarão nada e dormirão durante as sessões; é por isso que eu gosto do jeito de um Dario Burro que dá declarações meio desastradas, mas que é cidadão que luta, tem projetos e vai adiante.

Sei que há muitos que só aparecem às vésperas das eleições e fazem visitas esquisitas e inesperadas com aquele célebre: “Você está lembrado de mim, não está?”. E que, eleitos ou reeleitos, voltarão apenas quatro anos mais tarde. (Nem parentes inconvenientes são assim; eles costumam aparecer pelo menos no Natal…).

Sei que há ministros que caem, os que depõem no Congresso, os que são ouvidos pelos seus iguais; a maioria sai absolvida e nós, os votantes eleitores, ficamos pasmos com os acontecimentos.

Sei que existem os larápios, os que, da linhagem de Gregório Fortunato(*), amealham fortunas com suas falhas morais e centuplicam suas posses em tão pouco tempo, que deus-nos -livre – guarde de tamanha pouca vergonha.

Sei dos políticos que cometem e deixam cometer desatinos, ainda achando que o povo é analfabeto, parado no tempo e no espaço; graças aos Prounis que alguns bons criaram e mantêm, e outros programas do gênero, o Brasil saiu do adormecimento das ditaduras e começou a pensar grande, maior dos que imaginam sermos o país dos manipuláveis. Hoje, a maioria das empresas dá treinamentos bárbaros, incentiva para que seus funcionários estudem, pagam para que cursem universidades e línguas estrangeiras. O Brasil acordou.

Os brasileiros estão competentes; ainda que muitos, os humildes, os explorados, não saibam muito bem de seus direitos, haverá, logo-logo, um Renascimento.

Uma pena que existam ainda políticos que, corretíssimos em tantos propósitos, inaugurem rodoviárias sem telefones públicos, infraestrutura e linhas de ônibus adequadas e deixem que abatam, numa certa reforma do Parque dos Eucaliptos, uma obra de arte do artista Cléuso de Paula.

Um Parque tem que ter árvores, não se esqueçam disso, árvores pelo amor de Deus!… Nunca vi tantos arboricidas em toda a minha vida como aqui, nesta cidade; tirem aqueles coqueirinhos mirrados do Parque dos Eucaliptos e plantem árvores para que, à sombra delas, as lembranças dos meninos e meninas desta cidade possam ganhar um cenário de verdade. E espero sinceramente que o Cléuso receba desculpas públicas da tal assessoria de comunicação que não quis dar declaração ao Semanário na semana passada. A destruição da obra do Cléuso é crime lesa-patrimônio público e não me venham com a desculpa de que estava cheia de cupins. Se estava, tinha que ter sido tratada adequadamente, e se não o foi, é desleixo.

(*) Gregório Fortunato era a “eminência parda” do Governo de Getúlio Vargas, seu braço direito. Se você gosta de História do Brasil, vale a pena pesquisar sobre ele.

• Esther Rosado é professora de Literatura e Redação e autora de material didático para cursinho e Ensino Médio. E-mail: estherosado@uol.com.br

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