A cracolândia de Jacareí , o cidadão e as próximas eleições municipais

Publicado em 2/4/12 às 4h24
Publicidade

Hoje é terça-feira, metade do dia, e assistimos ao jornal da região na Globo e pudemos acompanhar, então, o que acontece pela madrugada na cidade : adolescentes, adultos, quase-crianças fumam e vendem crack ( e outras drogas) nas proximidades do shopping e de um supermercado. Um entrevistado, que mora entre escombros de um terreno diz que fuma, que bebe, que cheira cocaína. As imagens nos trazem duas barrigas prestes a dar à luz , crianças que nascerão já viciadas.


Quase semana de filmagens, o produtor do programa telefona para a Polícia Militar, registra suas impressões, mas espera em vão que PM tome providências. Não disse que era da Globo, quem disse que a polícia apareceu? A queixa dos moradores é que ela nunca aparece. Será?
O poder público municipal não quis se manifestar. Isso é novidade? Nenhuma. Não se manifesta até começar a campanha eleitoral; apenas alguém por lá disse que há uma viatura fazendo ronda para alguma coisa (se eles não querem se manifestar, por que eu teria que saber os nomes do sei-lá-quê?). Nos cinco dias de filmagens, nenhuma viatura da prefeitura passou por lá, seja para escutar, oferecer ajuda ou levar para tratamento ou abrigo.
Todos nós sabemos que as drogas existem em todos os lugares, basta olhos para ver; e não é batendo, postergando, deseducando, abandonando ou fingindo que nada acontece debaixo do nosso nariz que iremos mudar alguma coisa. O mundo não gira apenas ao redor do umbigo de certas pessoas, embora muitas ainda pensem assim…
Por isso, em nome daquela menina-mãe que vai dar à luz uma criança a qualquer hora e que, se sem ajuda, o fará no meio do lixo, peço socorro à Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude: é ainda hora de socorrer aquela vida, ao menos uma que seja, ali, naquele hospício do meio da rua.
Em nome de todos os cidadãos que vocês representam, caros vereadores, comecem a planejar alguma coisa, lei, algo que se importe de verdade com o cidadão comum para que ele não seja vítima das drogas nem daqueles que as consomem, alguma coisa que faça toda a cidade se engajar, caminhar junto com vocês, buscar soluções para todos. Cabeças funcionando, meus senhores!
Aqueles que lá estão são também vítimas sociais; quer da miséria física ou moral, quer do desleixo dos poderes públicos, quer de alguma coisa inominada que paira no ar assustadoramente e que se abaterá sobre nós como uma tempestade e entrará pelos nossos lares como um tsunami. Enquanto é tempo as autoridades têm que fazer alguma coisa e nós, os cidadãos, temos que participar para que tudo melhore. Colaboradores.
Senão, daqui a pouco, vão culpar o Chaquib por aquilo tudo. Espero que não o façam; o Chaquib é um homem de bem e de nada adianta que limpe o seu terreno, que coloque cerca elétrica, que coloque ali seguranças: é à Polícia que cabe a resolução dos problemas, no sentido imediato, de encaminhamento, verificação, ordem. Depois, à prefeitura e seus assistentes sociais, seus postos de saúde, seus médicos e o oferecimento de tratamento e remédios, abrigo, regeneração, ressocialização.
Não adianta a tevê apontar a cracolândia de Jacareí se não houver providências das autoridades, boa vontade, eficiência, vocação para promover mudança efetiva e justiça social.
De inércia, Deus nos livre. Afinal, todos os que tomam parte do que vulgarmente se conhece por “poderes públicos municipais” deverão, um dia, quer queiram quer não queiram, prestar contas de atos e omissões. Mais das omissões que dos atos.
Os juízes, nesse caso, são os cidadãos e o juízo, certamente, o dia das próximas eleições municipais.

• Esther Rosado é professora de Literatura e Redação e autora de material didático para cursinho e Ensino Médio. E-mail: estherosado@uol.com.br

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade