Corridas de rua: boas e ruins

Corridas de rua: boas e ruins

Publicado em 12/1/12 às 11h31
Publicidade

Como tudo na vida, existem corridas pedestres muito boas e outras nem tanto. São as qualidades desenvolvidas no trabalho dos organizadores que as diferenciam. A corrida de qualidade preenche parâmetros indispensáveis e respeita indistintamente todos os corredores. A despeito de ser redundante, o bom começo tem início logo na largada. O pelotão é organizado em baias ou setores definidos por desempenho: os corredores de elite saem primeiro, depois são postados os corredores rápidos e, no final, fica o pelotão dos mais lentos e iniciantes. A medida evita choques, quedas e atropelamentos após o tiro de largada.

Durante o percurso, a cada dois ou três quilômetros, os corredores recebem água mineral gelada (não faz bem bebida quente no corpo aquecido), em copos pequenos (os grandes são bastante desperdiçados porque não se consegue beber muita quantidade de líquido correndo). O estoque precisa ser calculado com generosidade, para não faltar hidratação para os mais lentos, pois normalmente são os que mais precisam. A segurança dos atletas também é primordial. Por isso, o percurso todo deve sofrer controle absoluto do trânsito, para evitar acidentes no tráfego de veículos entre os corredores. Para tanto, as boas corridas cobram inscrição (pode ser um valor simbólico), o que gera direitos aos consumidores e um compromisso dos organizadores em trabalhar corretamente.

Justamente para evitar os efeitos perigosos do calor sobre o organismo humano cansado e para obter o máximo de controle de trânsito sem atrapalhar o tráfego pela rede viária da cidade é que boas corridas, preparadas por gente que conhece o assunto, começam bem cedo, no máximo às oito horas da manhã (horário tradicional para os atletas já estão acostumados a participar de corridas). Tal constatação é ainda mais importante quando a corrida é marcada para o final do ano. O mês de dezembro, por exemplo, além de ser muito quente, está às portas do Natal. Muitos motoristas que querem aproveitar a manhã de final de semana para fazer compras, são surpreendidos com a interdição da rua, ficam irritadíssimos e alguns agentes de trânsito correm até o risco de agressão.

Nas boas corridas, há ambulância, serviço médico de prontidão e fiscais transitam de bicicleta, munidos de transmissores de rádio para verificar se está tudo bem entre os participantes, principalmente no pelotão de trás. Além disso, como todos pagaram inscrição e a finalidade da corrida é incentivar a prática esportiva, todas as pessoas que concluem o percurso têm seu mérito reconhecido e recebem medalha, não apenas os primeiros a chegar. Com base nas considerações expostas, fica fácil identificar uma corrida ruim ou que provavelmente decepcionará a expectativa de respeito que todo esportista possui: é aquela que não cobra pela inscrição e que começa tarde, sob a temperatura elevada do sol mais intenso da manhã. Esses organizadores pensam que o evento é um favor prestado à população e não têm compromisso de qualidade com todos os corredores.

• José Luiz Bednarski é Promotor de Justiça da Cidadania e Consumidor

Comentários

  1. Silvia Maria Dos Santos

    Participei de 04 gratuitas ano passado e não tenho o que reclamar da organização, inclusive do aniversário de SJC foi excelente até a camiseta fornecida foi uma das que mais gostei, aqui de Jacarei a unica reclamação da galera foi a falta de medalhas e a água que estava quente, mas foi bacana. Recentemente teve uma gratuita no litoral que faltou água para os últimos e com o calor alguns passaram mal.

    responder

Deixe um comentário

Publicidade