Obesidade no novo século (Coluna do Consumidor)

Publicado em 23/3/12 às 5h33
Publicidade

O leitor que deseja saber se é obeso precisa calcular o índice de massa corporal (IMC), da seguinte forma: multiplique sua altura por ela mesma. Em seguida, divida o peso pelo resultado da primeira operação. Se o resultado obtido for maior que 30, é obeso, enquanto o peso normal está entre 20 e 24,9 e o sobrepeso, de 25 a 30.

De 30 anos para cá, o número de consumidores que sofrem com a obesidade mais que dobrou, segundo estudo realizado pela Universidade de Harvard, em 199 países, com o patrocínio da Fundação Bill Gates. O Brasil, infelizmente, segue a tendência mundial. Nosso IMC médio masculino subiu de 22,6 para 25,8, e o feminino de 24,1 para 26, no período.
Enquanto os programas governamentais de saúde concentram esforços na mudança de hábitos alimentares e na prática de exercícios físicos, os especialistas em metabolismo do emagrecimento apontam para outras direções prioritárias – combater os processos de urbanização, automatização e insônia.
O mundo dorme por noite duas horas a menos do que fazia na década de 50, o que tem reflexo direto no peso. O sono insuficiente desregula a produção dos hormônios ligados à saciedade e aumenta a taxa de adrenalina. Com isso, o consumidor sente necessidade de comer mais para ficar satisfeito ou tranquilo.
Também não se pode comparar a qualidade frugal da comida da roça que se consumia de antanho com o cardápio industrializado do homem da cidade moderna. Os alimentos processados são obtidos mais facilmente e possuem bem maior densidade de calorias.
Por exemplo, quando nossos avôs desejavam tomar um suco de laranja era preciso descascar e espremer as frutas. Atualmente, a bebida tem muito açúcar e a tarefa não demanda energia, visto que basta abrir a geladeira e pegar a caixinha.
Sem dúvida que o esporte é importante, mas o tempo que se gasta na atividade normalmente é reduzido. Logo, o maior e mais eficiente gasto calórico para combater a obesidade vem das atividades físicas não-programadas agregadas ao cotidiano, como andar a pé e de bicicleta.
Para tanto, é importante que tenhamos uma cidade que não pense apenas nos carros e permita às pessoas a prática segura dessas modalidades de deslocamento saudável, notadamente nas ciclovias, aspecto que foi esquecido na construção recente de vias em áreas movimentadas, como a avenida da rodoviária de Jacareí.

• José Luiz Bednarski é Promotor de Justiça da Cidadania e Consumidor

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade