Não existe almoço grátis. Cuidado para não se lambuzar com o crédito fácil e farto.

Publicado em 16/4/12 às 12h56
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Nunca na história desse país tivemos uma redução tão drástica nas taxas de juros oferecidas aos consumidores como essas que estão sendo anunciadas pelos bancos do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.Tudo isso numa iniciativa de combater os efeitos da crise que se arrasta desde 2008 tentando incentivar o consumo das famílias brasileiras.
Na quarta-feira passada o Banco do Brasil incentivado pelo governo Dilma resolveu tomar medidas que envolvem desde uma redução de 19% nas linhas para compras de veículos como também na redução das taxas do rotativo do cartão de crédito, de uma média de 12,25% ao mês para um piso de 3% ao mês.
A Caixa Econômica Federal para não ficar atrás anunciou também reduções de até 88% nas taxas de juros anuais. Para o financiamento de veículos, por exemplo, a taxa mínima pode chegar a 0,98% ao mês.
Todo esse pacote de bondades, é bom lembrar, já poderia e deveria ter sido feito há muito tempo já que a taxa básicade juros da economia (SELIC) já vem registrando queda acentuada pelo banco Central desde 2006.
Só para se ter uma ideia do tamanho da encrencaveja a diferença de dever R$1.000 no rotativo de um cartão de crédito a uma 12,25%ao mês em comparação a uma taxa de 3%.
Olhando acima podemos perceber a diferença astronômicapraticada anteriormente sem contar os transtornos causadospela desinformação financeira e falta de planejamento financeiro quevão desde a desmotivação, stress a problemas de relacionamento entre casais que poderiam ter sido amenizados se não fossem tão altos os spreads bancários(diferença entre o que os bancos pagam e cobram de juros)das instituições financeiras. Resta saber se os bancos privados seguiram o mesmo caminho já que dificilmente irão querer perder seus clientes para as estatais.Podemos dizer que será uma boa briga para o consumidor planejado apreciar.
Resumindo consumir é bom, o credito movimenta a economia, mas pode ser um grande tiro no pé se as famílias começarema se endividar sem qualquer Planejamento Financeiro prévio gerando uma bolha que pode estourar no futuro com milhares de pessoas inadimplentes e com risco de perderem seus empregos mesmo com dívidas a perder de vista.
Apesar de toda alegria e coceira na mão é importante lembrar que as taxas cobradas lá fora em instrumentos como crédito imobiliário para a aquisição da tão sonhada casa própria nos EUA, por exemplo, é de 4,9% AO ANO e no Brasil 13% ao ano, onde ficamos atrás até de países vizinhos como o Chile cuja taxa é de 3,4%. Para completar nosso raciocínio veja as taxas cobradas no cartão de crédito em outros países da América Latina:
Ou seja, essa história DE QUEM NÃO DEVE NÃO TEM pode ser seguida de um ditado árabe muito propício para esse momento da economia brasileira que diz que: Quem compra o que não precisa venderá o que precisa.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCPF – Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP®, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM ( Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grande organizações em todo o Brasil.

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