Como uma pequena flor na tempestade da existência

Como uma pequena flor na tempestade da existência

Publicado em 10/4/12 às 5h20
Publicidade

Machado de Assis, meu preferido escritor, escreveu em seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, primeiro romance realista brasileiro, que “O menino é o pai do homem.”, um verso de um poema do inglês William Wordsworth (“The Child is father of the Man”). É lá na infância que o caráter aparece e deve ser educado; é a criança de agora que se transformará no adulto no futuro…

Não era preciso ir tão longe para que este verso fosse tomado como referência, uma vez que em Provérbios 22:6, outro ensinamento nos chama a atenção: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
Desde sempre as preocupações humanas estiveram ligadas aos filhos quando pequeninos. E por que estou escrevendo isso?
Porque nunca tinha recebido tantos telefonemas assim na minha vida. E tantos emails também; as pessoas me ligaram para falar sobre a última crônica etc.
Entre os telefonemas, uma revelação: nascera a criança que habitava aquela barriga que eu mencionara ( era uma só, não eram duas grávidas como eu havia escrito). E isso foi uma notícia que me fez pensar sobre os compromissos que todos nós, os cidadãos de determinada comunidade, temos com as crianças que nela habitam, as que um dia nascerão.
Criança precisa de amor, comida, médico, vacinas, hospitais, afeto, afeto, afeto e mais afeto, casa com o mínimo de conforto, escola, educação não formal e mais afeto, afeto e mais afeto e, sobretudo , de cumprimento das leis que estão no ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.
Criança é semente da árvore forte ou fraca que o adulto será um dia.
Que compromissos temos com as crianças de nossa casa? Nossos filhos e netos? Dada a resposta, descobriremos que são os mesmos compromissos que temos com qualquer criança que esteja conosco em nosso caminho.
Por mais lugar-comum que isso signifique, toda criança é uma semente , cheia de luz ou sombra, de acordo com os que os cercam fazem dela.
Eu desejo muita vida àquela menininha que nasceu . Que seu coração seja aberto à alegria de viver, que alguém se interesse por ela vivamente e que jamais passe fome e frio, que seja nutrida com esperança de um mundo melhor.
Criança é sempre uma espécie de um sorriso de Deus, um alerta para que tomemos vergonha na cara, para que o nosso coração duro redescubra que elas são ( outro lugar-comum) o futuro da espécie humana, a nossa continuidade, o nosso próprio futuro.
Aquela menininha nasceu , torçamos por ela, interessemo-nos verdadeiramente por ela porque, mesmo em meio a todos os problemas, veio à luz para uma lição que nunca, nunca podemos nos esquecer: de que toda a vida é uma esperança e que deve ser cuidada porque é delicada como uma pequena flor na tempestade da existência. E que tem que ser cuidada ou se vai, em um segundo, como um sopro.

• Esther Rosado é professora de Literatura e Redação e autora de material didático para cursinho e Ensino Médio. E-mail: estherosado@uol.com.br

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade