Campanha contra a Gordofobia chega a Jacareí

Publicado em 21/11/14 às 10h58
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No dia 11 de Novembro, quatro misses plus size, vestidas apenas de peças íntimas, fizeram uma manifestação contra a “gordofobia” em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. O ato aconteceu depois que duas delas ouviram do recepcionista de um hotel da capital que não caberiam juntas em uma cama de casal.DSC_4890

Camila Bueno, 19 anos, é Miss Plus Size São Paulo e uma das modelos que fizeram o protesto, esteve em Jacareí nesta semana fazendo fotos para a loja de roupas plus size, DDA Modas, e lançou, juntamente com o proprietário da loja, Douglas Diniz, a campanha contra a gordofobia na cidade. Em entrevista ao Semanário, Camila afirmou que a situação que viveu em Brasília, foi uma das situações de preconceito, que mais a marcou.

Gordofobia é o termo utilizado para definir o preconceito contra pessoas gordas. A gordofobia também se dá por meio da exclusão de pessoas gordas, que pode ser observada no mercado de trabalho, nos concursos públicos, nas marcas de roupa, nas novelas e em praticamente todas as áreas da sociedade. Para Camila, esse preconceito é algo muito humilhante. “E é triste a forma como os outros têm em te rebaixar como se isso fosse algum defeito”, destacou. Para Douglas, a gordofobia também pode ser na forma de olhar diferente para pessoas gordas, e preconceitos disfarçados de brincadeiras e piadas.

Questionada sobre problemas de saúde causados pela obesidade, Camila afirmou se tratar de um problema relativo. “Eu, por exemplo, tenho a saúde perfeita e procuro praticar esportes sempre, cuido muito da minha saúde e alimentação”, afirmou. “Sim, eu tenho dificuldades em subir 50 degraus de escada, mas da mesma forma que diversas pessoas relativamente magras também têm, agora eu já fui impedida de fazer uma atividade física porque a pessoa achava que eu não conseguiria, por mim mesma quis fazer e provei que consegui sem dificuldade nenhuma”, acrescentou.

“Eu acabei de fazer uma série de exames e minha saúde está bem. Tenho uma vida normal e saudável. Gordura não é sinônimo de não ser saudável, existem pessoas magras que não são saudáveis. O preconceito é com a aparência e não com a saúde”, afirma Douglas.

Acessibilidade – O dono da loja de roupas plus size defende a necessidade de tornar os locais públicos mais acessíveis para pessoas obesas. “Quem consome mais numa praça de alimentação geralmente são os mais gordinhos, mesmo assim, ninguém pensa que a cadeira tem que ser maior. Falta acessibilidade nos restaurantes, no teatro, no avião. Eu fui aos jogos da copa e os estádios tinham lugares reservados porque a FIFA é internacional e já pensa nisso, mas no Brasil ainda não”.

Camila disse ainda que a moda Plus Size e o crescimento do mercado Plus Size é um dos fatores que colaboram para melhorar sua autoestima. “Me fez descobrir uma beleza que possuo que em determinado tempo não estava aflorada em mim”, ressaltou.

A modelo elogiou a iniciativa de Douglas, abrindo uma loja que pensa nesse público. “Eu acho que todas as pessoas deveriam ter a iniciativa que o Douglas da DDA Modas teve em abraçar esta causa e se preocupar com o bem estar de quem está acima do peso”. Ela disse ainda que acredita que “independe da forma física, a auto estima, a saúde e o bem estar devem estar acima de tudo”. Douglas completa dizendo que “cada pessoa tem um gosto diferente. Você pode ser magra e achar gordinho bonito. Não existe um corpo ideal”.

Jacareiense fala sobre o preconceito

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A jacareiense Franciellen Carneiro, 21 anos, também não se encaixa no padrão de beleza estabelecido pela sociedade. Ela falou um pouco sobre o que considera ser o preconceito com pessoas acima do peso. “Todas as formas, sutis ou não, de desmoralizar ou menosprezar uma pessoa gorda. Desde o clichê “ela é tão linda de rosto…” e supostas preocupações com a “saúde” até a verdadeiros discursos de ódio. Eu acredito que a internet potencializou muito mais isso. Acompanho um blog onde uma nutricionista foi agredida verbalmente e ameaçada por defender que pessoas gordas podem, sim, se amar e terem autoestima”, contou.

Ela afirma que o argumento de que a preocupação é com a saúde e não com a aparência é hipocrisia por parte da sociedade. “Eu sempre fui gorda e nunca tive um problema de saúde relacionado ao excesso de peso, no entanto, tenho asma desde os dois anos de idade e hipotireoidismo desde os 18. Nunca, em nenhum momento da minha vida, alguém se interessou em saber sobre essas coisas, nem mesmo pessoas próximas. Mas comer um chocolate depois do almoço? ‘Olha lá, depois não reclama…’ Não é o peso que dita a saúde de alguém, é a alimentação e as atividades que ela pratica”, relata.

Fran conta que nunca foi impedida de fazer algo por ser gorda, mas que já teve pessoas minando minha autoestima de diversas formas. “Eu nado desde os oito anos, por exemplo, e de lá pra cá nunca tive coragem de aparecer de biquini ou ir a uma praia porque eu sei o que pode acontecer. Eu gosto de moda e gostaria de investir nisso, mas poderia gostar mais se a indústria colaborasse e não fingisse que meu físico não existe ou que só mereço roupas feias”.

Para a jacareiense, a construção de sua autoestima acontece através de um processo longo e árduo. “Tento ter sempre em mãos referências positivas, acompanho blogs de moda plus size e outras blogueiras feministas. Participo de debates, evito ler comentários ou notícias preconceituosas e, acima de tudo, tento sempre me lembrar das coisas que eu realmente gosto de fazer e fazê-las”, narra.

“Nem sempre a gente encontra apoio no outro, mesmo que esse outro seja alguém que você ama, como um parente, amigo ou namorado, então precisamos extrair o máximo de apoio de nós mesmos. É doloroso e um caminho longo, mas funciona aos poucos. Uma coisa é fundamental lembrar que ser gorda não é ruim, não pode ser ofensa. Assim como ter qualquer outro tipo físico não é”, conclui.

 

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