Cantar para que o Menino Jesus renasça

Cantar para que o Menino Jesus renasça

Publicado em 18/12/14 às 7h19
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Perdida no meio das minhas duas mil e oitocentas coisas que faço diariamente, nem me dei conta  de que o Natal  vinha se aproximando; imaginei que estava longe, longe, embora na semana passada ele tenha sido um pouco meu tema. Hoje, meu marido e eu, fomos atrás de um violão para concerto , mas, ali, na hora, olhei para o violino, me deu tanta saudades do meu violino que levei para minha neta nos EUA… deixei o violão para segunda-feira…

Outro dia, quando armamos a árvore de  Natal ou, ainda, quando ouço  de longe a voz de meus  netos, assim, de repente, me dei conta de que era mesmo Natal outra vez.

Teimosamente se anunciou quando vinha pela Dutra e havia tráfego lento e eu pude, então, ler dentro de mim mesma as saudades que sinto de tudo, das pessoas que amei e amo, da família, de gente que não vejo há tempos. Parada no mar de carros, esperando feito uma menina às vésperas do Natal, entrou dentro de mim Jesus Cristinho e se aninhou na minha alma e me avisou : é quase Natal, Esther.

E é quase Ano Novo também. Ali, em meio ao mar de carros, pensei no pai que já perdi, na mãe que já perdi, nos meus tios que já se foram para Aldebarã, e em longínquas mesas postas da infância também perdida (ou não?), nos primos, nos agregados , na parentagem toda que chegava e ia proseando, ajudando na cozinha. Aprendi que era bom abraçar e beijar com os natais da minha infância, quando os guardanapos eram brancos e em tecido, os jarros com antúrios, margaridas, rosas cor de rosa.

Não sei se sua família é barulhenta, leitor(a), mas a minha  era ótima nessas ocasiões: minha avó cantava lindamente ao piano, minha bisavó  cantava também e formávamos um coro incontrolável, cantávamos até que todos ficassem, ensaiando, vermelhos com aquele calor tremendo do interior. Ah, que delícia ter tido uma família barulhenta, com tias solteironas e outras casadas, muitos e muitos e tantos primos e primas, obrigada, Vida, por ter sido tão delicada e generosa comigo: os meus eram (e são) alegres, ternos e bons. E eu adorava que fizessem tranças nos meus cabelos. Qualquer tia, qualquer prima. Não há  uma festa de fim de ano sequer que eu não associe a festas familiares.

Ontem, pus-me a olhar para a grande árvore da sala, com seus sinos e bolas e laços e tantos enfeites; pus-me a olhar para os Natais tão distantes, a ouvir a voz de todos nós ao redor de mesas imensas. Assomaram às minhas lembranças as antigas canções, o desembrulhar dos presentes, a alegria de compartilhar a festa.

Pude, olhando para esta árvore de hoje, ver as antigas árvores natalinas, meus filhos ainda pequeninos e Jesus Cristinho nascendo feliz num presépio ,  adoração de minha filha que hoje  é mãe.

Voaram os anos diante dos meus olhos nublados, como voa a vida e seus infinitos Natais.

Então, penso em Cristo e guardo as minhas histórias. Sei que um coro de anjos cantará mais uma vez para que ele nasça. Escuto este coro e , nele, a voz da própria humanidade.

Feliz Natal pra você.

Por: Esther Rosado
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