Um ato do qual não se sai impune - Esther Rosado, sobre ler Clarice Lispector

Um ato do qual não se sai impune – Esther Rosado, sobre ler Clarice Lispector

Publicado em 10/12/14 às 2h33
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Fugindo da perseguição à sua família judia, durante a Guerra Civil Russa, a pequena ucraniana Haya Pinkhasovna Lispector, com apenas um ano e dois meses de idade, migrava para o Brasil com seus pais em 1926. Aqui, em Maceió, teve seu nome mudado para Clarice. E foi aqui, entre o Nordeste Brasileiro, onde pegou o gosto pela escrita e a leitura, e o Rio de Janeiro, onde estudou, que uma das maiores escritoras do Brasil, reconhecida mundialmente, construiu uma carreira brilhante. Hoje é seu aniversário*. Apesar de ter morrido cedo demais, sua vida e obra são celebradas por todos que já foram tocados por suas peças literárias.

Popular e querida entre os amantes da literatura, é, para muitos, uma autora cujo estilo ultrapassa os limites da classificação, e muito à frente de seu tempo. Publicou romances, contos e crônicas para jornais importantes.

Clarice Lispector, por Esther Rosado

Foto: Faraco e Moura

 

A escritora jacareiense Esther Rosado é fã incondicional de Clarice, e escreveu para o Semanário.com.br sobre a autora, em homenagem ao seu aniversário.

“Ler Clarice é ato do qual não se sai impunemente: ela provoca descobertas, abre feridas metafóricas e reflexões intensas, faz sangrar por dentro. Interessa à escritora descobrir o que há do lado do avesso das criaturas, o que pretendem de suas vidas, o que fazem com elas mesmas.

Em uma entrevista, Clarice Lispector declarou:”Sou brasileira naturalizada, quando, por uma questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor. “

Ter conhecido Clarice Lispector me salvou da banalidade de ser eu mesma, confesso. Fez-me estudar, amar, ter compaixão daqueles que ainda precisam focar sua felicidade no Outro e não em si mesmos. Por isso é que hoje, quando se comemora o aniversário de ela, tantos anos depois de sua morte ( 1920-1977), canto o seu amor pela liberdade e redescubro: depender , sob todos os aspectos, é ser escravo e é a isso que se chama “servidão”. Salve Clarice, a que escrevia em lispectorês.” – Esther Rosado

Clarice Lispector e Esther Rosaco

A escritora jacareiense Esther Rosado – fã de Clarice (Foto: Facebook/Acervo Pessoal)

 

Com a revolução digital, Clarice Lispector chegou a ser considerada a autora brasileira mais citada no Twitter… se isto é mérito ou não, vai de cada um.

Curioso é que seu filho, Paulo Gurgel Valente, fez, recentemente, uma afirmação muito peculiar a respeito da mãe, em um vídeo-depoimento para o evento “Hora de Clarice” o Instituto Moreira Salles (IMS). Fazendo referência a crônicas como Restos de Carnaval e Banho de Mar, Paulo disse: “Estas crônicas, eu estava reparando, eram como se fosse uma antecedência do Facebook, porque ela postava no Jornal do Brasil as coisas muito pessoais, o que não se fazia. Foi um pouco a diante do seu tempo. (Se) não sabia o que colocava na crônica, colocava frases muito pessoais quase como se fosse o Twitter, com 140 caracteres.”

Confira o vídeo com a entrevista mais recente de Paulo Gurgel, filho de Clarice Lispector, para o IMS:

Veja, também, o site belíssimo que o IMS montou para Clarice: http://claricelispectorims.com.br/

E uma seleção de frases (de) atribuídas a Clarice Lispector para você postar no Twitter… http://www.frasesfamosas.com.br/frases-de/clarice-lispector/

*Não mencionamos a idade de Clarice de propósito. Ela não gostava de dizê-la. Tanto que nem no seu túmulo deixaram colocar o ano de seu nascimento, em sua homenagem. Apropriado, para uma autora de obra eterna.

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