Dois anos após incêndio na boate Kiss, brasileiros acreditam que a proteção contra incêndios em lugares públicos continua inadequada

Publicado em 30/1/15 às 12h36
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Dois anos após o trágico e fatal incêndio ocorrido na boate Kiss, em Santa Maria (RS), quase três a cada quatro brasileiros (72%) dizem que as medidas relacionadas à segurança contra incêndios continuam insuficientes em locais públicos, de acordo com uma pesquisa conduzida para a empresa de tecnologia Honeywell (NYSE: HON) pelo KRC Research.

  • Três a cada quarto brasileiros ainda não se sentem seguros contra incêndios em locais públicos
  • 67% dos entrevistados não participaram de um treinamento contra incêndio em seus locais de trabalho
  • 81% querem que o governo promova mais ações focadas em educação relacionadas à segurança contra incêndios
  • 72% querem mais leis para assegurar proteção adequada contra incêndios

Segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros não participou de uma simulação contra incêndio em seus locais de trabalho no último ano e acredita que o governo precisa fazer mais para assegurar que o público esteja mais seguro. Ter mais ações educacionais relacionadas à segurança contra incêndio por parte do governo é outra prioridade citada por mais de quatro em cada cinco entrevistados.

A pesquisa da Honeywell revela que mais da metade dos brasileiros adultos (61%) estão preocupados com a ameaça para sua segurança pessoal com incêndios em locais públicos, e mais de uma a cada três pessoas (36%) estão muito preocupadas. Na verdade, adultos estão mais preocupados em enfrentar incêndios em locais públicos (61%) do que em suas próprias residências (57%). Embora o nível de conscientização relacionado a desastres envolvendo incêndios tenha crescido, a maioria dos entrevistados se sente menos seguro hoje em casas noturnas (92%), prédios comerciais (89%), em shoppings e restaurantes (82%) do que antes da tragédia na boate Kiss.

Quase metade dos brasileiros (49%) sente-se inseguro sobre como reagir em uma situação de emergência com incêndio. Mais de 40% não iriam diretamente para a saída de emergência caso um alarme fosse acionado, mas tomariam ações potencialmente perigosas, como olhar para o incêndio para ver se podem ajudar (17%), retornar para a porta por onde entraram (8%), tentar recolher seus pertences e companheiros antes de sair (7%), ou, até mesmo, esperar no local para ter certeza de não se tratava de um treinamento (5%).

“Esta pesquisa revela que a maioria dos brasileiros se sente menos seguro em locais públicos do que antes, e que muitos ainda não estão preparados para responder de forma efetiva a uma situação de emergência”, afirma Tom Von Essen, Comissário dos Bombeiros da cidade de Nova York que atuou diretamente durante os ataques de 11 de setembro e é, atualmente, consultor da Honeywell para segurança contra incêndios. “Para proteger melhor e equipar as pessoas para agirem em situações emergenciais, é crucial que o Brasil estabeleça uma base de procedimentos e sistemas de segurança contra incêndios”.

Embora 57% dos entrevistados tenham dito que seus locais de trabalho atualizaram seus procedimentos de segurança contra incêndios desde 2013, 67% afirmam que não participaram de uma simulação durante o mesmo período.

Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros olham para o seu governo em busca de liderança neste assunto: 92% afirmam que o governo é responsável por garantir a segurança adequada contra incêndios em locais públicos e 70% acreditam que o governo poderia fazer mais através da legislação para garantir que os responsáveis por locais públicos (empresários e supervisores) adotem os procedimentos e os sistemas de segurança adequados. Garantir o cumprimento da legislação vigente também é um problema para a população, já que apenas 13% acreditam que o governo esteja fazendo um “bom trabalho” para cumprir as leis já existentes.

“A voz dos brasileiros é alta e clara. Dois anos após a tragédia na boate Kiss, nossos cidadãos querem ações dos nossos governos”, afirma o deputado Paulo Pimenta, chefe da uma comissão no Congresso que procura melhorar a segurança contra incêndios em locais públicos. “Conduzi o projeto que visa resolver este problema através do desenvolvimento de uma legislação que seja capaz de ajudar a prevenir futuras tragédias, estabelecendo sólidos padrões de segurança contra incêndio no âmbito nacional. Tenho esperança de que o Congresso Nacional concluirá imediatamente a votação desse importante projeto. O povo brasileiro merece nada menos do que isso. Na verdade, é necessária uma mudança cultural nessa área. Para isso, é preciso educar a população”.

A tecnologia pode ter um importante papel na melhora da segurança contra incêndios, com entrevistados afirmando que o governo deveria exigir sinalizações nas saídas de emergência (80%), alarmes de incêndio (78%), sprinklers (75%) e saída com caminhos iluminados (72%).

“Acreditamos que a educação e a tecnologia são a solução para melhorar o nível de conscientização e preparação em relação à segurança contra incêndios”, afirma Benjamin Driggs, presidente da Honeywell do Brasil. “Esta pesquisa mostra claramente a necessidade de que todos os grupos, incluindo governo, setor privado, autoridades contra incêndios, associações de indústria e o público de forma geral, possam trabalhar juntos neste problema crucial”.

“Educação é outra peça fundamental para apoiar a estruturação de uma política de segurança contra incêndios de alcance nacional, algo que está faltando no Brasil”, comenta Dr. Rosário Ono, PhD, Professor Associado da Universidade de São Paulo e um dos principais pesquisadores em segurança e prevenção contra incêndios do país. “Responsabilidade e deveres devem ser atribuídos, assim como o direito de todo cidadão de ter acesso à educação relacionada à segurança contra incêndios, desde as escolas primárias (prevenção), até os níveis mais altos de educação (qualificação profissional)”.

Boate Kiss, um ano após a tragédia

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Homenagem às vítimas feita no ano passado, em frente ao prédio da boate Kiss

Pesquisa – Esta pesquisa foi conduzida pela KRC Research entre os dias 12 e 17 de dezembro de 2014, através de questionário online com 1011 brasileiros adultos, entre 18 e 64 anos.

Pontos principais:

Brasileiros afirmam que a ameaça de incêndios é subestimada e os recursos relacionados à segurança não são suficientes:

  • 72% concordam que não há recursos e procedimentos suficientes para lhes manterem seguros contra incêndios em locais públicos.
  • 79% afirmam que a ameaça ocasionada por incêndios em locais públicos recebe menos atenção do que lhe é devida.
  • Menos de um a cada dez entrevistados (8%) dizem que o assunto recebe “a quantidade certa” de atenção.

Maioria dos brasileiros se sente menos seguro contra incêndios em locais públicos agora do que antes da tragédia na boate Kiss em 2013:

  • A grande maioria não se sente segura nos locais a seguir: casa noturna (92%), prédios comerciais (89%) e shoppings e restaurantes (82%).
  • 52% se sentem mais seguros agora em casa do que em 2013.

Algumas pessoas estão tomando medidas para estarem preparadas para agir em uma situação de emergência relacionada à incêndio, mas metade permanece insegura sobre como responder a uma situação dessas:

  • Quatro a cada cinco (81%) brasileiros mudaram seu comportamento ou atitude quanto a potenciais emergências relacionadas à incêndios em locais públicos.
  • Apenas metade (51%) dos entrevistados sente-se confiante em saber o que fazer caso um incêndio se inicie em local público.

O público quer que governo e as empresas façam mais para garantir que sistemas e procedimentos de segurança contra incêndios estejam prontos para lhe proteger:

  • Quase todos os brasileiros dizem que o governo (92%) e as empresas (94%) têm a responsabilidade de garantir que as pessoas reajam de forma correta em situações de incêndio.
  • Três quartos dizem que o governo (70%) e empresas (74%) deveriam fazer mais para aumentar a segurança contra incêndios.
  • 44% dizem que o governo está fazendo um trabalho ruim para garantir o cumprimento de procedimentos e de leis que permitam que as pessoas reajam de forma segura.
  • 81% afiram que o governo não está fazendo o suficiente para informar e educar o público sobre como reagir em caso de uma emergência envolvendo incêndios.
  • 72% querem mais leis que façam com que as empresas e os supervisores de locais públicos tenham medidas prontas para ajudar o público a reagir.
  • Locais deveriam ter sinalizações iluminadas de saída (80%), alarmes contra incêndios (78%), sistemas de sprinklers (75%) e caminhos para evacuação iluminados (72%).

Fonte: Assessoria Honeywell

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