Crise hídrica e endividamento – mesmas causas e saídas

Publicado em 22/2/15 às 4h45
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Você alguma vez já tratou sua conta bancária, ou a quantidade de dinheiro guardada como “reservas”? Se já o fez, não irá estranhar a associação que o educador financeiro Reinaldo Domingos fez, em artigo publicado sob o título “Crise Hídrica e endividamento – mesmas causas e saídas”, em que ele ensina como causas similares podem levar ao esvaziamento de uma represa e de sua conta bancária

Leia o artigo:

Crise hídrica e endividamento – mesmas causas e saídas

Passamos por um período de crise hídrica, com projeções avassaladoras para a população, tendo como principal chance de solução a boa vontade do meio ambiente, trazendo mais chuvas do que previsto para os próximos meses. E, desse cenário, podemos fazer um paralelo com a realidade financeira de milhões de brasileiros.

“Mas, que loucura é essa?”, você deve estar pensando. Eu explico: os erros dos governantes, principalmente, no Estado de São Paulo, na administração dos recursos hídricos são os mesmos que vemos em nossa população em relação aos recursos financeiros.

Excesso de confiança

A primeira semelhança é o excesso de confiança de acreditar que está tudo no caminho certo, sem projeções sobre cenários futuros, o que faz com que não se pense em reservas estratégicas, já que a vazão que se tinha era capaz que suprir toda demanda e até mesmo para uma “reserva de curto prazo”.

Em relação à captação de água, esse erro gerou a falta de investimentos no que era necessário, assim, ficamos com uma realidade de armazenamento e captação defasada a nossa nova realidade e, frente a uma primeira estiagem, o cenário de caos se instalou, tendo que buscar alternativas emergenciais.

O mesmo ocorre com a população, que não faz diagnósticos periódicos de seus rendimentos e de suas despesas, não percebendo que custos e prioridades se alteram. Isso faz com que não tenham uma noção real da situação financeira, levando ao total descontrole, sem contar que não são feitas reservas estratégicas.

Esperança que a solução caia do céu

Outro erro similar que observo nas duas situações é a negação de que ocorreram erros no passado e buscar jogar a culpa em fatores externos. Isso faz com que a solução também tenha que ser proveniente de fatores que não estejam relacionados às nossas ações.

No caso do governo, o que podemos observar é que, por muito tempo, se negou que o período de estiagem pudesse ocasionar problemas no abastecimento da população, acreditando na sustentabilidade de um sistema ultrapassado. Isso fez com que não se realizasse um prévio racionamento, que diminuiria os impactos no futuro. Posteriormente, a culpa foi passada às condições naturais que não auxiliaram e, com isso, um provável racionamento será muito mais drástico e a esperança ficou simplesmente na mudança do cenário ambiental, com a vinda de mais chuvas.

Para a população ocorre a mesma coisa, muitas vezes, se observa a negação em aceitar que há um problema financeiro, acreditando em uma solução externa, como um aumento ou ganhos extras (até mesmo loterias). Com isso, o problema é deixado de lado e, quando se percebe, a situação é desesperadora, com impactos muito mais sérios para as vidas.

Assimilar o volume morto

O uso indevido de algo sempre traz impactos insustentáveis, e isso pode ser observado claramente na utilização inadequada do volume morto das represas como sendo algo natural e que foi associado a nossa capacidade de captação. Não era! Com isso, mesmo com as chuvas que já vieram, a situação ainda é muito deficitária e, para que haja uma normalização, será necessário um tempo muito maior, sem contar nos estragos que já são irreversíveis.

O mesmo ocorre com a população que assimila os valores do limite do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito como se já fizessem parte do orçamento, não percebendo que estão pagando os juros por esse uso indevido. Isso agrava muito mais a situação e uma estratégia para sair se torna muito mais árdua, levando, muitas vezes, a pessoa à falência.

Mudança de comportamento


Enfim, como pudemos observar, a similaridade entre a crise hídrica e a situação financeira de grande parte da população é grande. E as soluções passam, invariavelmente, pelo mesmo caminho, o planejamento. No caso do governo, é fundamental que não ocorra foco apenas em obras emergenciais e paliativas, mas sim em projeções sérias para o futuro; que sejam feitas ações como novas fontes de captação, novos reservatórios e reflorestamento, que possibilitariam melhorias ambientais.

Crise hídrica e endividamento - um artigo de Reinaldo DomingosJá para a população, o caminho é a educação financeira, mostrando que as pessoas devem conhecer a situação que vivem, projetem seus sonhos e objetivos e adequem suas vidas financeiras a essa nova realidade, possibilitando a realização de poupanças para o futuro. Enfim, as dificuldades já estão sendo sentidas e o melhor caminho para se tomar é enfrentar com inteligência, não mais se omitindo, e aprender com os erros do passado, projetando um futuro de realizações.

Reinaldo Domingos é educador financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e autor do best-seller Terapia Financeira e de diversas outras obras, como Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira.

Crise hídrica e endividamento - um artigo de Reinaldo Domingos

Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas

Manifestação em frente à prefeitura de São Paulo contra a falta d’água no final de Janeiro

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Crédito da foto de destaque: Marcos Santos/USP Imagens
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