Do lado mais fraco (opinião)

Publicado em 12/2/15 às 9h17
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O jeito PT de governar é assim: faz do seu jeito e faz seu jeito parecer que é a vanguarda da modernidade, progresso e Governo Social. Ao “cumprir tabela” na última quarta-feira, aprovando o Plano de Carreira do Magistério, que já esperava 22 anos, isto ficou demonstrado. Cumpriu tabela porque apenas fez obrigação, mas fará soar como um grande feito administrativo, que passou batido pelas malditas administrações anteriores (esta é a figura). Fez do seu jeito porque (o executivo municipal) criou o projeto sozinho, num debate que não representou a maioria dos professores – afinal, o sindicato da categoria estava protestando contra o rumo que tomou o Plano. Talvez já esperando que houvesse contestação, Hamilton apresentou o projeto às vésperas da votação, em Dezembro. Deu-se tempo para aprofundar o debate com a maioria dos professores mas, em merecidas férias, muitos não participaram.

Conclusão. Um plano de carreira “mais ou menos” foi aprovado depois de 22 anos. Ao menos haverá uma valorização momentânea no salário destes profissionais. Mas passou a chance de se desenvolver um projeto inovador que apoiasse a modernização do ensino infantil através de capacitação profissional que não usasse como régua índices de aproveitamento do aluno, mas que se apoiasse no avanço de estudos mundiais sobre educação. Contudo, é necessário tempo para avaliar os resultados efetivos desta regulamentação.

A tendência, como já tem se visto, é que a corda estoure sempre do lado mais fraco. E esta foi a grande tentação em que Dilma caiu no final do ano passado, apertando a renda do trabalhador e mais pobre, e pior, expondo sem vergonha a mentira que foi sua campanha eleitoral (pobre militante do PT que deve passar vergonha entre os amigos). Agora, parece que pesou a consciência, e talvez não seja bem assim. E nessa corda-bamba de desgovernabilidade, vamos perdendo a cada dia, com a redução da confiança do Brasil diante do Mercado e, pior, diante do próprio povo.

Estourar para o mais fraco é doido, gente. Quem sofre na pele este desmazelo é o seu Roberto, jacareiense de décadas, que quase perdeu sua mulher para o SIM. Ela só precisa de um cardiologista e, até então confiante que conseguiria uma consulta pelo sistema público, procurou o SIM. Foram meses de negação de atendimento. “Não temos cardiologista”. Até que dona Laide passou mal de vez e precisou ser internada na Santa Casa, em decorrência do seu aparente problema cardíaco. Agora, ela passa bem. Revoltado, Roberto não hesitou em pintar no vidro traseiro de seu carro: “Paciente morre no SIM. Não tem médico”.

É o tipo da coisa que quase não temos há mais fôlego para falarmos, denunciarmos, protestarmos, dada a indiferença nas soluções. Alguém questionou: “como quer fazer pronto-socorro se não consegue colocar médico no SIM”? Justo.

Plano de Carreira do Magistério

Comentários

  1. Luana

    Estava na Votavao só Turma da Secretaria . Que são comprados e fazem tudo para não voltarem para sala de aula .Vergonhoso

    responder

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