Lamaçal e buracos no país do faz-de-conta

Publicado em 19/2/15 às 9h00
Publicidade

Talvez o petista mais otimista da região, ao analisar a situação dos bairros sob precariedade em Jacareí, e sob constante e crescente denúncia nas mídias sociais, com vídeos, fotos e protestos compartilhados instantaneamente, diria que “nunca antes neste país o povo menos privilegiado teve oportunidade de ter acesso às tecnologias de ponta, como sob os governos de Lula e Dilma”. A apologia ideológica seria seguida de um sorriso triunfante de um típico militante do governo que aí está, e que sabe contornar pelas bordas qualquer acusação contra suas falhas.

Acontece que os moradores “menos privilegiados” não achariam tanta graça assim de tal consolo aqui em Jacareí. Passou Carnaval e, se o ano começa só depois deste feriado, a lamentação dos moradores de bairros afastados também. Esta mesma chuva que refrescou o Cantareira tirou o sossego de moradores do Rio Comprido, Chácaras Reunidas, entre outros, que tiveram que brigar com lama, doença e buracos capazes de quebrar suspensões “a rodo”.

Apenas demonstra-se o que a imprensa tida como pessimista está cansada de apontar, mas que agora cai na percepção da população em geral. Em geral, o governo petista trabalha com a lógica do faz-de-conta. Conduz a Prefeitura de Jacareí, assim como o Brasil, com o olhar em um plano ideológico particular e muito próprio, e não no interesse das forças democráticas do país. É mais ou menos como se a ideologia do partido impusesse ao povo o que é o ideal de governo, sob cabrestos e assistencialismo, para que este mesmo povo devolva uma manifestação de democracia infectada pela ilusão que comprou (ou ganhou).

E assim, se faz uma política impessoal, que permite que cidadãos morram no SIM por falta de médicos, que pessoas tenham o acesso a suas casas mutilado pelas forças corrosivas da falta de capacidade de executar melhorias, e que, enquanto nação, tenhamos que pagar cada vez mais caro pela nossa simples sobrevivência.

Esta mesma democratização da tecnologia da informação, naturalmente compatível com os discursos de partidos de esquerda, pode ser o algoz de sua destruição. Cada vez mais, nas redes, enquanto a comunicação deste grupo se perdeu, um tipo de cidadão independente de partidos se confunde com desinformados e despolitizados. Juntos, com ou sem querer, articulam as formas mais agudas, e muitas vezes grotescas, de contestação do poder vigente (como é o caso dos que pedem a volta da ditadura militar). É o cúmulo, mas é o que tem para um povo que está vazio de esperança e empatia com o partido que conduz o país.

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade