Metalúrgicos da Chery paralisam produção e exigem salários e direitos

Publicado em 25/3/15 às 12h53
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Os metalúrgicos da Chery, de Jacareí, paralisaram a produção por cerca de duas horas e meia na terça-feira, dia 24, para exigir que a empresa assine a convenção coletiva da categoria, reconhecendo assim os direitos e salários praticados pelas montadoras da base sindical. Desde agosto do ano passado, o Sindicato dos Metalúrgicos vem buscando negociar com a Chery. Apesar disso, a empresa mantém a postura de se recusar a reconhecer os direitos da categoria e a própria legislação do país. 

De acordo com o Sindicado, “os salários dos trabalhadores da Chery estão muito abaixo dos praticados pelas montadoras da região. Além disso, a montadora vem se utilizado de práticas ilegais relacionadas aos direitos e condições de trabalho, que são os piores possíveis. Um exemplo disso é que as atividades de funilaria e solda são feitas de forma braçal, sem equipamentos adequados e desrespeitando as normas de segurança; isso deixa os trabalhadores expostos a um alto risco de doenças ocupacionais. Também há denúncias de péssima qualidade na alimentação”.

Caso não haja avanço nas reivindicações, os trabalhadores podem entrar em greve. A unidade de Jacareí possui cerca de 470 trabalhadores e fabrica o modelo Celer nas versões Hatch e Sedan. No último dia 6, os metalúrgicos da Acteco, fábrica de motores da Chery, realizaram uma paralisação de 24 horas e também exigiram da montadora a assinatura da convenção coletiva.

chery

Foto: Sindicato dos Metalúrgicos

“A Chery está pensando que o Brasil é a China. A montadora já está em pleno funcionamento, faturando alto no país e recebendo diversos tipos de incentivos ficais dos governos, portanto não existem motivos para continuar praticando salários e direitos inferiores aos que são praticados na categoria. Ou a empresa muda sua postura, ou haverá greve”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antônio Ferreira de Barros.

A Chery enviou uma nota informando que “segue rigorosamente a legislação brasileira desde o início de suas atividades no país, ainda como importadora, desde 2009” e que aguarda a realização de nova reunião com o Sindicato, cujo objetivo é aprovar a proposta que atenda, da melhor forma, aos interesses de todas as partes.

Confira a nota divulgada pela empresa na íntegra:

A Chery Brasil informa que segue rigorosamente a legislação brasileira desde o início de suas atividades no país, ainda como importadora, desde 2009. Com o início das atividades de sua primeira fábrica no Brasil, inaugurada em agosto de 2014, a empresa reforçou este compromisso, principalmente com a formação de um time de Saúde e Segurança do Trabalho constituído por profissionais brasileiros e com vasta experiência, preparados para garantir as condições e o ambiente adequados, de acordo com as exigências legais, nas diversas áreas e etapas que compõem todas as operações da companhia.  

A fabricante informa ainda que vem mostrando disposição e mantendo diálogo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos há meses, buscando uma composição que atenda aos interesses da empresa e de seus funcionários. Com a produção comercial de sua fábrica tendo sido iniciada há pouco mais de um mês, em 06 de fevereiro, a Chery vive um período de revisão de sua estratégia, diante do atual cenário econômico do país, tendo anunciado há poucos dias que a previsão de produção neste primeiro ano de funcionamento caiu de 30 mil carros para 25 mil unidades.

Ainda assim, a empresa pretende levar adiante seus planos de crescimento, com a cautela e responsabilidade que o momento exige. “A Chery reafirma seu compromisso de continuar contribuindo com o desenvolvimento da região do Vale do Paraíba, com a criação de mais 120 vagas de emprego no segundo semestre de 2015, além dos mais de 500 funcionários que fazem parte do quadro da montadora”, diz Luiz Curi, vice presidente da Chery Brasil.

Em relação à ameaça de greve anunciada hoje, a empresa informa que aguarda a realização de nova reunião com o Sindicato amanhã pela manhã (25 de março), cujo objetivo é aprovar a proposta que atenda, da melhor forma, aos interesses de todas as partes.

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