A burrice das teorias da conspiração - Opinião de 6/8/2015

A burrice das teorias da conspiração – Opinião de 6/8/2015

Publicado em 6/8/15 às 4h42
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Que a Câmara dos Vereadores legisle em nome de uma causa, de um conceito, doutrina partidária, direito das minorias, está justo. Mas que se legisle em nome da burrice, é admitir que chegamos a um ponto inaceitável. Nem que seja – e o que é pior – admitir a burrice por motivo eleitoreiro. Se te ofende o termo “burrice”, substitua por “irracionalidade”.

Esta semana foi aprovado o Plano Municipal de Educação com a manifestação presente, em grande parte, de entidades e representantes religiosos. Em todo o Brasil, a Igreja Católica, principalmente, combateu artigos dos planos municipais que incluíam o estímulo à formulação de práticas educacionais que prevenissem a discriminação por gênero. Criaram um monstro imaginário: a chamada “ideologia de gênero”, uma fábula que estava, com toda a certeza e paixão arvoradas pelos seus exatores, implícita nos artigos que citavam o gênero.

O Semanário leu dezenas de vezes o plano. Não havia menção à ideologia de gênero, e nem “porta aberta” à sua imposição. Pelo contrário, os artigos defendiam a soberania da comunidade na definição de conteúdo para as escolas infantis.

Minha gente, bastava alguns minutos de Google – aquele serviço utilizado pela Prefeitura para tomar mais dinheiro do contribuinte – para constatar que esta história de ideologia de gênero enquanto imposição de neutralidade de sexos, por mais que estivesse bem exposta por parte dos bispos de São Paulo, e por algumas pessoas bem articuladas, não passa de uma teoria da conspiração da categoria mais fuleira que se possa imaginar.

A população, em geral, não tem a obrigação de ter os mecanismos capazes de esclarecer sobre mitos e teorias infundadas, mas é aí que caberia a coragem dos vereadores – seus representantes – para chamar os representados à realidade, que não se tratava de uma questão de uma ideia perversa, ou perda de valores morais, mas sim, repetindo, de mera burrice. E legislar em nome da burrice das teorias de conspiração não é nem um pouco saudável para nossa cidade, ou sequer para nossa democracia. E neste ponto é que está a pobreza de nosso debate político no Brasil atualmente.

Foi triste ver até mesmo o vereador Edinho Guedes, que se destaca(va) como legislador mais instruído e razoável da Câmara embarcar na falácia da difamada ‘ideologia de gênero’. Ou ver a vereadora Rose Gaspar, condutora tradicional de bandeiras progressistas, repetir várias vezes que era contra a inclusão dos termos “gênero e identidade sexual” nos artigos, mansa e amedrontada como um bezerro acuado. É importante lembrar que trabalhar igualdade de gêneros significa, antes de tudo, combater o machismo desde a infância na escola – o que ainda é assustadoramente presente na educação infantil.

Sobrou pouco espaço para falar da nova empreitada do governo petista em Jacareí, mas vamos lá. É assunto seguro que o PT pretende lançar o Secretário de Desenvolvimento Econômico Emerson Goulart como prefeito, mas não pelo PT, pelo PMDB. É de rir da ousadia e anti-republicanismo da ideia. Traduzindo: vamos lançar alguém por outro partido, porque o nosso tá queimado, mas um partido amigo, através do qual poderemos seguir governando virtualmente. Algo parecido com o que Lula faz atualmente no governo Dilma.

Depois de adotar o Google para medir terrenos e cobrar impostos, parece que o petismo jacareiense gostou desta história de virtualidade.

Comentários

  1. NPR

    Bom ver que alguém também viu o que eu vi. No fim da sessão ordinária, senti tristeza. Minhas críticas não são voltadas ao fato de terem votado contra o tema “identidade de gênero”, até porque, como conforme já dito, não há nada de interferência no plano neste sentido, e o voto contra é evidentemente eleitoreiro, já que temos uma Casa “cagona”, sem personalidade, que tende a olhar para as próximas eleições e não para a própria cabeça. Minha crítica é em relação à burrice mesmo, mas, principalmente, ao comportamento de uma manada de seres não-dotados de racionalidade chamada igreja evangélica e católica, especificamente os que estavam presentes na sessão. Havia gente com placas do tipo: “Viva a Vida”, “Salve a Família”, “Somos Contra o Aborto”, entre outras mensagens que nada tinham a ver com o dia. Não conseguem formular uma frase, em tom crítico, que não seja aos berros, xingando os parlamentares que ameaçavam dizer um “porém”… Como eu disse, não me entristece discursos contra a ideologia de gênero, pois sei que pra quem sonha e valoriza uma sociedade dignamente livre, ouvir essas aberrações é uma pechincha, e isso se corrige votando corretamente nas próximas eleições… Entristece-me mesmo é ver um “cristão” xingar a vereadora Rose de filha da puta, sendo que ela supostamente estaria do mesmo lado dele; entristece-me saber que somente um vereador (Sasaki) teve a preocupação de falar do plano de uma maneira geral, e mesmo assim foi algo mitigado; entristece-me ver vaias dessa manada impensante quando qualquer um ousasse falar de outra coisa que não fosse uma crítica a I.G; entristece-me ver crianças e adolescentes serem levadas por esses adultos, aprendendo desde cedo como ser intolerante com aqueles que pensam diferente deles. A repressão à minoria é algo constante numa câmara onde – quando não é pastor – é burro. Pergunto-me onde estavam essas pessoas quando o Plano Diretor foi votado, quando a LDO foi votada e, principalmente, quando os primeiros resquícios do projeto que aumentou o “subsídio” do vereador foi votado… Quando vejo essas pessoas berrarem palavras de ordem na sessão ordinária, ou alguns vereadores falarem na tribuna, tenho a sensação de estar vendo o Collor, ali no Senado, falando aos pares… Me vem um sentimento como seria se eu visse o Marcola ou Fernandinho Beira-Mar na rua com o rapa logo ali do lado e eu não pudesse alertá-los da presença do ‘bandido’,…parece com isso.

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  2. Fausto

    Triste esta opinião. Mostra que, realmente, seu autor não fez mais do que “uma rápida busca no Google “.

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  3. Sebastião Carlos de Moraes

    Para quem considera inteligente, e quer distorcer a o significado da Ideologia ou identidade de gênero, tirada do Plano Municipal de Educação, pela emenda aprovada pelos vereadores de Jacareí, achando uma burrice das teorias da conspiração. Veja que o texto diz, “O Jornal SEMANÁRIO leu dezenas de vezes o plano. Não havia menção à ideologia de gênero, e nem “porta aberta” à sua imposição. Pelo contrário, os artigos defendiam a soberania da comunidade na definição de conteúdo para as escolas infantis.” , qual a diferença de tirar ou deixar a menção “Ideologia de Genero” ?, sendo que não alteraria o significado, mas se perder alguns minutinhos no Google e ver o significado, isso poderá ser interpretado se forma insignificante como este escritor publicou, ou por outro lado as pessoas que são consideradas “burras”, para elas são extremamente importante, a facilidade e clareza do significado em questão:
     A Ideologia de Género, ou melhor, dizendo, a Ideologia da Ausência de Sexo, é uma crença segundo a qual os dois sexos — masculino e feminino — são considerados construções culturais e sociais, e que por isso os chamados “papéis de género” (que incluem a maternidade, na mulher), que decorrem das diferenças de sexos alegadamente “construídas” — e que por isso, não existem —, são também “construções sociais e culturais”.
    “Que a Câmara dos Vereadores legisle em nome de uma causa, de um conceito, doutrina partidária, direito das minorias, está justo”…. (inicio do artigo publicado)
    Ainda o Jornal SEMANÁRIO não percebeu que esta é uma causa cristã?
    “A Ideologia de Género é a mais radical rebelião contra Deus que é possível: o ser humana não aceita que é criado homem e mulher, e por isso diz: ‘Eu decido! Esta é a minha liberdade! ‘ — contra a experiência, contra a Natureza, contra a Razão, contra a ciência! É a perversão final do individualismo: rouba ao ser humano o que lhe resta da sua identidade, ou seja, o de ser homem ou mulher, depois de se ter perdido a fé, a família e a nação.
    É uma ideologia diabólica: embora toda a gente tenha uma noção intuitiva de que se trata de uma mentira, a Ideologia de Género pode capturar o senso-comum e tornar-se em uma ideologia dominante do nosso tempo.”

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    1. Semanário de Jacareí Mensagem autor

      Seja qual for a definição de “ideologia de gênero” não estava mencionada no Plano, e não há provas da intenção do Governo em promover tal coisa

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  4. Celia

    Ah , é burrice quando a identidade de genero é retirada do plano municipal de educaçáo ,mas é “importante que a igualdade de genero seja defendida????Texto burro é esse, mas se te ofende, pode trocar por irracional.

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