O poder, entre amigos e irmãos – Opinião de 29/10/2015

Publicado em 29/10/15 às 7h27
Publicidade

A pessoa que diz “não discuta, eu sei o que é melhor para você, simplesmente faça o que eu digo enquanto eu decido as coisas por aqui” geralmente pode ser comparada a um pai, uma mãe ou um tutor. A pessoa que diz “vamos descobrir juntos o que é melhor para nós, analisando nosso contexto e nossos interesses como adultos, e então decidir”, podemos identificar como um irmão, ou um amigo. Alguém que vemos como quem está na mesma estatura que nós.

E a Democracia, este modelo de exercício de poder vigente em nosso país e conquistada com muito sangue e muita luta, grosso modo, permite que estejamos protegidos da possibilidade de haver um “grande pai” autoritário incorporado no Estado para ditar regras e definir, de forma totalitária, o que é melhor para a vida social de uma nação ou comunidade. Diferentemente, o exercício de poder no Brasil deve ser feito com sentimentos de igualdade e de irmandade.

A atitude do prefeito Hamilton Mota (PT) com apoio dos vereadores da base Arildo Batista, Rose Gaspar, José Francisco, Antonele Marmo (PT), Ana Lino, Paulinho do Esporte (PMDB) e Itamar Alves (PDT), de apresentar uma lei na sexta-feira, 16, para ser votada e aprovada no dia 21 (lei delicada, que mexe com o bolso do povo) é tudo menos democrática. É toda autoritária. A atitude dos vereadores citados de defender com o peito cheio a proposta, convictos de que sabem o que é melhor para o povo, o qual representam como iguais, é tudo menos democrática. É toda altiva.

A opinião do Semanário sobre a aprovação da Contribuição de Iluminação Pública não é importante para o processo de informação de nossos leitores. Tampouco é importante nossa opinião sobre a credibilidade da atual gestão para administrar mais de R$800mil por mês no ano que vem. Opinamos, porém, abertamente – e abrimos fogo – contra toda a tentativa de ferir os instrumentos que protegem nossa sociedade civil da desigualdade no exercício de poder. A luta é mais contundente quando as afrontas vêm de um partido que nasceu da luta pela igualidade de direitos.

 Publicidade Relacionada:

Pode haver até certa sinceridade na crença destes políticos de que, bem ou mal, estão fazendo o que estão fazendo, do modo como estão fazendo, pelo bem do povo que realmente precisa. Mas como pode querer o bem do povo um grupo de políticos que não respeita o modelo de exercício de poder democrático atropelando o debate desse jeito?

Este tipo de atitude não é exclusividade dos legisladores e prefeito de nossa cidade, mas tem sido vista em outras partes do Brasil e até no Congresso Nacional. Mas não é porque se faz que se legitima. Recentemente, por exemplo, quase ninguém viu um decreto de sigilo feito pelo governo Alckmin (PSDB) que “protegia” documentos sobre o Metrô e a Polícia. Descoberta, a ação escandalizou e obrigou o governador a voltar atrás, e rever as regras de sigilo para documentos do Estado.

É hora de os políticos de Jacareí também voltarem atrás. Eles pisaram na bola no jogo da Democracia, e o povo não está contente, não está satisfeito. Durante a Sessão em que a pressão das galerias fez com que Itamar assinasse o projeto de revogação do novo imposto, Ana Lino reclamou que o “povo do oba-oba” só está nas galerias na hora da polêmica. Arildo também mencionou os poucos presentes em seu horário de tribuna livre. Que convoquem, portanto, seus representantes populares que os defendam, ou que defendam os votos dos vereadores em favor da taxa. Não vão achar quem o faça (o Semanário já tentou encontrar opiniões de cidadãos favoráveis à taxa, sem sucesso).

Coerência
Os vereadores da base são capazes de voltar atrás, de serem sensíveis ao clamor de seus representados – que se mostram prontos para defender seu bolso no grito, nos próximos dias. Coerência foi vista quando os vereadores da base permitiram a rejeição unânime ao veto do prefeito Hamilton a um projeto que, agora aprovado, favorecerá o uso de energia solar em locais públicos. O Executivo, incoerente manda taxa para o cidadão pagar iluminação pública mas veta o apoio ao uso racional da luz na cidade. O Legislativo demonstra bom senso e derruba o veto. Agora, é hora de mostrarem coerência com seus eleitores quanto à forma de apresentar e aprovar uma lei que afetará o bolso de todos.

A revogação da taxa de iluminação pode até ser um erro administrativo que a história descobrirá no futuro, mas não importa. Esta é a vontade do povo no momento, e tem que ser respeitada. Se é o certo, que se proponha um novo tributo, em um futuro breve, mas que seja do jeito certo, com tempo para debate, da maneira que respeita a Democracia e o cidadão.

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade