Democracia de Fachada / Apenas um Jogo – Opinião de 4/12/2015

Publicado em 4/12/15 às 5h16
Publicidade

Democracia de fachada

Precisamos reconhecer que ultimamente, na prática, o rigor do exercício democrático não tem sido levado a sério no Brasil. Isso demonstra o quão difíceis são nossos tempos.

Em tese, é preciso que prefeito, governador ou presidente sejam sensíveis ao clamor popular e, por mais que sintam-se contrariados, uma vez vendo ecoar o grito do povo para além das instituições representativas, deve ceder.

Mas por aqui, o governador de nosso estado baixa por decreto uma reorganização escolar com a clara finalidade de economizar dinheiro, e deixa a conta para o cidadão – que pagará trechos mais longos de deslocamento e terá que esperar o resultado da aposta, se melhorará ou piorará o ensino em São Paulo.

Nosso prefeito impõe a aprovação de uma lei que institui a cobrança de uma taxa de iluminação, com a clara finalidade de economizar dinheiro (ou arrecadar mais no ano que vem). O atropelo da democracia, por aqui, ganha contornos de legalidade e democracia, afinal tecnicamente a aprovação da lei da taxa está perfeita – foi votada e “revotada”.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, em uma clara manobra de retaliação à validação do processo de cassação de seu mandato, coloca em jogo o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), não porque zele pelo bem estar da República, mas porque precisa mostrar força e que vai resistir à queda até o fim.

 Publicidade Relacionada:

Nossos governantes perderam a sensibilidade. Nossa Prefeitura briga para não ter que pagar atendimento médico digno a paciente. Os partidos, mais do que seus políticos em mandato, precisam de exposição em ano eleitoral. Assim, impõe interesses vitais para sua arrecadação e, desde que se cumpra o praxe da regra do jogo, toca-se o barco de olho nas próximas eleições.

Apenas um jogo

Na última Sessão de Câmara, ao rebater argumentos de vereadores de oposição, o presidente Arildo Batista (PT) deixou escapar a frase “isto é um jogo”, no contexto de tentar fazer valer um suposto acordo que garantiu os honorários de procuradores do município, mesmo com um teto de legalidade questionável.

Em certos níveis, a política, sim, é um jogo. Mas políticos insensíveis, cegados pela paixão partidária, ignoram que o jogo na representatividade política é um acessório no exercício político. Acima de toda barganha, ideologia ou politicagem deveria estar a vontade de zelar por uma comunidade justa, igualitária e que olhe para os menos favorecidos.

E não é deste tipo de políticos que precisamos mais – os tempos mostram. Por isso os dinossauros PT, PSDB e PMDB encontram dificuldade em se reinventarem. Estão presos às entranhas que eles mesmos desenvolveram e não conseguem convencer uma geração que nasce sem amarras ideológicas.

Esta classe política não vai ao encontro do emergente clamor por mudança, por uma revolução de ética através de uma reforma política acima de legendas. Precisamos de políticos que voltem a pensar na política como uma arte pelo bem da coisa pública, não como um jogo pelo jogo, matemático, trabalhando em função da estruturação de grupos ideológicos para, como sobra, desenvolver melhorias para a população.
Neste sentido, Hamilton e Alckmin são farinha do mesmo saco, o saco de políticos que acreditam que a política é um jogo. A frustração, que também Arildo demonstrou ao dizer em outro momento que tenta influenciar o prefeito do próprio partido sem sucesso, demonstra ainda mais que quem manda aqui é o Cacique, o prefeito Hamilton.

Tentativas arbitrárias como entrar na justiça contra lei aprovada que abriria os contratos da Prefeitura ao Legislativo demonstram o mesmo. O jogo pelo jogo.

Atores políticos, legisladores, abandonem o jogo e façam Política!

Comentários

Deixe um comentário

Publicidade