A importância do aleitamento materno

Publicado em 3/8/17 às 5h38
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Entre os dias 1 e 7 de agosto comemora-se a Semana da Amamentação, data criada para conscientizar as mães dos benefícios do aleitamento materno e a criação de bancos de leite.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno fornece os nutrientes necessários para a sobrevivência e desenvolvimento do bebê. Ele oferece quantidade protéico-calórica adequada, contribui para o desenvolvimento imunológico, está sempre na temperatura ideal e disponível a qualquer momento. Nos primeiros seis meses de vida, o aleitamento deve ocorrer de forma exclusiva, sem a inclusão de outros alimentos.

No Brasil, apenas 38,6% dos bebês brasileiros se alimentam exclusivamente com o leite materno nos primeiros 5 meses de vida, segundo a OMS. A taxa é considerada abaixo do ideal, mas regular em comparação com outros países como Estados Unidos, China e Reino Unido.

Quando considerada a amamentação até 1 ano de idade, o índice melhora e sobe para 47%. Contudo, até os 2 anos, o número cai pela metade (26%).

A pediatra Margareth Coli Fernandes, de Jacareí, explica que há estudos recentes que valorizam os primeiros mil dias de vida da criança. “Esses mil dias incluem desde o momento da concepção até os 2 anos de idade. O aleitamento durante esse período vai interferir diretamente na vida daquele de bebê não só enquanto ele for pequeno, mas até na vida adulta”, comenta a pediatra.

Um bebê que não mama no peito pode desenvolver obesidade, diabetes, asma brônquica e patologias ligadas a alergia.

Outro benefício da amamentação é que o bebê precisa esforçar-se para adquirir o alimento. Com o movimento de sucção para obter o leite, ele irá desenvolver a musculatura da face e movimentos de desenvolvimento. “O próprio mecanismo de sucção do bebê irá contemporizar a quantidade ideal para saciá-lo. Isso não ocorre quando você dá o leite na mamadeira, o bebê irá se alimentar com a quantidade necessária que a mãe determinou”, acrescenta Margareth.

A amamentação também traz benefícios para a mãe, como ajuda para a volta do útero, prevenindo hemorragias pós parto, e também doenças cardíacas, diabetes, câncer de mama e do colo do útero.

Para a consultora de amamentação, Fabíola Alonso, de São José dos Campos, além das necessidades nutricionais, o ato de amamentar traz uma ligação emocional entre a mãe e o bebê. “Pensar em amamentação é pensar além do primeiro alimento que recebemos, é perceber que há uma troca emocional muito importante”, conta Fabíola.

Existe leite fraco? – Diferentes dos mitos espalhados, o leite materno sempre possui os nutrientes necessários para o bebê, não existindo o tal “leite fraco”. O que acontece para que o bebê apresente baixo ganho de peso é a pega incorreta.

Com as dificuldades para amamentar, muitas mães optam por introduzir os leites artificiais, ou fórmulas, como são chamados. Eles possuem em sua base o leite de vaca, que é contraindicado para crianças de até um ano.

A pediatra é contra a introdução de fórmulas para bebês. “Por mais que a indústria produza fórmulas, o leite materno é inimitável. Ele não consegue ser copiado em todas suas nutrições e características”, explica Margareth.

Além disso, a fórmula sempre possui o mesmo sabor e nutrientes que ainda não podem ser digeridos pelos bebês. “Se a gente imaginar que esse bebê é imaturo, o sistema gastrointestinal dele também é imaturo, ou seja, tem dificuldade de absorção. Se você der um alimento ou uma fórmula, ele realmente vai ter mais dificuldade, haverá um sofrimento desse sistema digestório”, explica a pediatra.

O leite artificial também pode causar algumas disfunções no bebê. Quanto mais cedo a fórmula for introduzida, mais transtornos ela vai causar no bebê.

Margareth ressalta que o leite materno está sempre em mudança, então ele é propício para as necessidades do bebê em cada etapa da vida. “Uma mãe que tem um bebê prematuro, por exemplo, vai produzir um leite de acordo com as necessidades do seu bebê. Quando ele crescer, as necessidades serão outras e o leite irá mudar também”, afirma.

Os nutrientes encontrados no leite materno podem ser variados de acordo com a alimentação da mãe. A cor e o sabor do leite também sofrem interferência por causa da nutrição materna.

A pediatra ainda explica que o uso de leite artifical pode prejudicar a introdução de outros alimentos, pois o paladar da criança não foi desenvolvido com vários sabores, como no caso do aleitamento.

Os bebês que recebem fórmulas nas primeiras horas de vida possuem mais chances de desenvolver alergias e resistência a nutrientes. Segundo Margareth, muitas vezes a fórmula é adicionada na alimentação sem necessidade, por uma dificuldade da mãe em amamentar.

“Nós, como médicos, precisamos empoderar essa mãe para ela se sentir capaz de amamentar. Você precisa garantir a ela que ela é capaz de alimentar o próprio filho”, conclui a pediatra.

Nutrição na amamentação – Para fornecer os nutrientes necessários para um bom desenvolvimento do bebê, a mãe precisa manter uma alimentação saudável. “Uma mãe bem nutrida é capaz de fornecer todos os nutrientes necessários e pode proporcionar as condições ideias para o desenvolvimento do seu filho”, afirma a nutricionista Ana Paula Marques, de São José dos Campos.

Assim como na gravidez, a alimentação deve ser balanceada e diversificada e conter vegetais e frutas, cereais integrais, produtos lácteos, carne e peixe e beber pelo menos 1,5 litros de água por dia. Deve-se evitar comidas e bebidas que sejam nocivas a saúde do bebe, como alcoólicos, café e chá preto.

A prática diária de exercícios físicos também deve ser incluída na rotina da mãe. Caminhadas, pilates, yoga são boas opções.

Dificuldades – As dificuldades na amamentação, muitas vezes, vêm da falta de informações corretas e apoio. Um dos pontos mais críticos observado pela consultora de amamentação, Fabíola Alonso, é a pega incorreta, que pode fazer com que o bebê não ingira a quantidade adequada de leite e causar fissuras no seio.

“Pelas informações erradas, as mães acreditam que a dor e os machucados façam parte da amamentação”, conta Fabíola.

O ingurgitamento mamário, famoso leite empedrado, também é muito comum e pode ser corrigido facilmente com o bebê mamando, ordenha e orientações corretas.

A consultora ainda afirma que controlar a mamada no relógio pode atrapalhar. “Amamentar em livre demanda traz benefícios para o bebê, que poderá ter suas necessidades de succção e nutrição satisfeitas e ainda contribui para a produção de leite”.

“Amamentar é natural, porem nem sempre é fácil e automático, por isso é buscar informações de qualidade desde a gestação contribui muito para amamentar com tranquilidade e sucesso”, conclui Fabíola.

Dicas para amamentar – Para ajudar as mães na hora da amamentação, Fabíola dá algumas dicas. “A primeira dica é saber como fazer a pega correta, que é fundamental para o sucesso da amamentação e para evitar as tão temidas fissuras. Quando o bebê consegue pegar corretamente no seio, ele consegue se alimentar bem, extrair a quantidade necessária de leite e não machuca o seio da mãe. Se a mãe está sentindo dor ao amamentar, ela precisa buscar ajuda o quanto antes para evitar dificuldades maiores”, explica a consultora.

A pega correta tem como características: boca de peixinho (lábios virados para fora), boquinha bem aberta, bebê não faz barulhinhos ao mamar, a barriga do bebê está virada para a barriga da mãe, o queixo do bebê está encostado na mama e o nariz livre, a bochecha fica arredondada e não faz covinha. Buscar uma posição confortável, onde a cabeça do bebê fique alinhada com o corpo e levemente estendida, a mãe esteja sem dores ou tensa, também contribui.

“O apoio é fundamental para que a mãe tenha tranquilidade para descobrir a melhor forma de amamentar seu bebê e para que os dois possam aprender juntos. Esquecer relógios e priorizar este momento, livre de pressa e pressão, ajuda muito”, ressalta.

Para finalizar, ela aconselha a beber muita água, ter uma alimentação equilibrada, descansar sempre que possível. Além disso, é importante não fazer comparações, cada mãe e bebê são únicos, não usar bicos artificiais. “Ouvir seu instinto materno com certeza farão diferença na amamentação”, afirma.

MITOS DA AMAMENTAÇÃO

– Não existe leite fraco

– Não é preciso preparar o mamilo para amamentar, o corpo e a natureza se encarregam disto desde o primeiro momento da amamentação

– Não há alimentos que aumentem a produção de leite. A própria sucção do bebê produz mais leite.

– Tamanho do seio, prótese de silicone e tipo de mamilo não impedem a amamentação

– O tipo de parto interfere na amamentação

Amamentar depois da licença maternidade – Outro motivo que faz as mães pararem de amamentar é voltar a trabalhar quando termina a licença maternidade. Para a pediatra Margareth Coli Fernandes, isso não é desculpa nem empecilho para deixar de amamentar.

“Geralmente a licença é de quatro meses. Com essa idade, já conseguimos colocar outros tipos de alimento para o bebê, como frutas. O ideal é aleitamento materno exclusivo até os seis meses, mas se isso não for possível, o trabalho não impedir a amamentação”, afirma ela.

A pediatra explica que mesmo que a mãe volte a trabalhar, ela pode continuar amamentando antes de sair para o trabalho e quando volta. Uma opção saudável é fazer a retirada do leite e armazená-lo para que o bebê se alimente dele durante o dia.

“Se você fizer a ordenha e armazenar o leite da maneira adequada, ele mantém todos os nutrientes. Essa opção é melhor do que introduzir leite de vaca ou leite artificial”, afirma Margareth.

Banco de leite – Algumas mães não podem amamentar seus filhos. Pensando em garantir a saúde, nutrição e desenvolvimento dos recém-nascidos, foram criados os bancos de leite.

Os bancos de leite são iniciativas públicas vinculadas a hospitais infantis e maternidades, responsáveis por promover o aleitamento materno e executar as atividades de coleta, controle de qualidade, pasteurização e distribuição do leite pasteurizado. O Brasil possui a maior rede de bancos de leite humano do mundo, reconhecido pela OMS.

O banco de leite mais próximo de Jacareí fica no Hospital Municipal de São José dos Campos, que atende aos bebês internados nas UTIs neonatais de maternidades públicas e privadas.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de São José dos Campos, o banco de leite são atendidos, em média 45 bebês por mês. Esse número varia de acordo com o período de sazonalidade (férias, festas de fim de ano, carnaval).

Hoje, há 80 doadores regulares e 80 litros de leite no estoque. “O estoque está dentro da normalidade, graças a uma recente campanha realizada para sensibilização de novas doadoras”, afirmou a prefeitura, em nota. Entretanto, eles alertam que “ter muitas doadoras não significa necessariamente ter muitos litros de leite, porque cada mulher tem um organismo diferente e doa quantidades diferentes.”

A Prefeitura ressalta a importância da amamentação e como ela contribui para o desenvolvimento e a prevenção de doenças na infância e até na vida adulta. Por isso, destaca a importância das mães doarem leite.

O Banco de Leite atende de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h. As interessadas em doar leite podem entrar em contato através do telefone (12) 3901-3507. O Hospital Municipal fica na Rua Saigiro Nakamura, 800, Vila Industrial.

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