Brasil tem queda em número de casos e mortes causadas por AIDS

Publicado em 6/12/17 às 9h01
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Segundo dados do Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde os casos de AIDS e mortalidade provocada pela doença estão em queda no Brasil. Em 2015 a taxa de detecção era de 19,5 casos por 100 mil habitantes. Em 2016 foram 18,5 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 5,2% em relação ao ano anterior. Já a mortalidade começou a cair em 2014 quando foi ampliado o acesso ao tratamento para todos. Passou de 5,7 óbitos por 100 mil habitantes para 5,2 óbitos, em 2016.

Esses números são resultados da ampliação no diagnóstico do HIV. Também diminuiu o tempo para iniciar o tratamento e aumentou o número de pessoas recebendo a terapia antirretroviral, usada para o tratamento de infecções por retrovírus.

Quando a pessoa é diagnosticada soropositiva, o tratamento é iniciado em no máximo 41 dias. Em 2014, o paciente levava 101 dias para dar início ao tratamento.

Em gestantes, os casos de AIDS aumentaram em dez anos. Foram de 2,3 por 100 mil habitantes em 2006 para 2,6 em 2016. Isso pode estar associado a realização do pré-natal, que detecta o HIV na gravidez. Ainda segundo dados do Boletim, registrou-se queda de 34% em todos o país na taxa de detecção de HIV/AIDS em menores de 5 anos.

Dados do Relatório de Monitoramento Clínico do HIV, divulgados também pelo Ministério da Saúde, mostraram que das 830 mil pessoas que viviam com HIV no país, 84% já estão diagnosticadas, 72% estão em tratamento antirretroviral e, 91% já tinham carga viral indetectável. As metas estipulam que, até 2020, todas as pessoas vivendo com HIV no país sejam diagnosticadas.

Segundo o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, a intenção é que até 2020, 90% das pessoas com HIV estejam em tratamento e 90% alcancem carga viral indetectável. “Estamos ofertando os medicamentos mais modernos e investindo mais. Vamos agir junto às escolas. Vamos orientar os jovens para reverter essa tendência de crescimento. Para isso, não faltam recursos e nem mobilização”, afirma o ministro.

Além de distribuir gratuitamente preservativos, o Ministério da Saúde oferta o PEP, tratamento pós-exposição ao HIV. O medicamento está disponível em 115 municípios com mais de 100 mil habitantes.

A partir desse mês, as populações com maior vulnerabilidade à infecção terão acesso ao tratamento pré-exposição (PrEP).

O Ministério da Saúde adquiriu 3 milhões e 600 mil comprimidos para abastecimento de um ano. A oferta será gradativa: em 2017, 35 serviços em 22 municípios receberão o medicamento e outros 16 estados iniciarão em 2018. Os medicamentos serão para homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais sorodiferentes em situação de vulnerabilidade à infecção.

Mitos e verdades sobre a AIDS
O Dia Mundial de Combate a AIDS foi celebrado na sexta-feira, dia 1. O Governo Federal instituiu o Dezembro Vermelho, mês que será inteiramente dedicado ao combate a doença através de campanhas de prevenção. Maria Amélia de Sousa Mascena Veras, médica e professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), esclarece o que é mito e o que é verdade em relação à síndrome.

O vírus HIV pode ser transmitido por beijo, abraço ou aperto de mão?
Mito. O vírus HIV é transmissível apenas por contato sexual ou pelo sangue.

É possível contrair o vírus HIV no sexo oral?
Verdade. Embora o risco seja significativamente menor se comparado a outras modalidades de sexo (anal e vaginal), as chances aumentam se houver alguma ferida aberta ou ejaculação na boca.

Quem tem uma relação estável pode dispensar o preservativo?
Esta é uma decisão que tem de partir do casal. Se ambos forem soronegativos e mantiverem uma relação apenas entre eles, não há qualquer chance de infecção pelo HIV. Se um ou ambos os parceiros possuírem o HIV, recomenda-se o uso da camisinha para evitar a infecção do parceiro.

Todo portador de HIV tem AIDS?
Não necessariamente. HIV é o vírus, que pode ou não se manifestar em sua síndrome (AIDS).

O diagnóstico é feito somente por exame de sangue?
Mito. Além do teste pelo sangue, já existe o teste de fluido oral, que é capaz de detectar a presença de anticorpos para o HIV na saliva.

Se o exame der negativo, posso respirar aliviada?
Mito. Se o exame der negativo, existe uma chance muito grande de que a pessoa não esteja infectada. Porém, se a pessoa tiver tido alguma exposição ao HIV durante o período chamado janela imunológica (período que o organismo necessita para desenvolver anticorpos detectáveis nos exames), pode sim haver infecção com resultado negativo. Vale lembrar que para os testes disponíveis no sistema público de saúde, considera-se como janela imunológica o período de 30 dias após situação de risco.

É possível contrair vírus HIV em estúdios de tatuagem, manicures e consultórios de dentista?
Verdade. Além de outras infecções graves como hepatites. Por isso, é necessário que todos os aparelhos utilizados sejam descartáveis ou devidamente esterilizados.

Mulheres soropositivas podem engravidar sem que o vírus HIV seja transmitido?
Verdade. Se já estiverem em tratamento ou o iniciarem o quanto antes, o risco de transmissão para o bebê se reduz a quase zero.

Toda camisinha é 100% confiável?
Mito. Nenhum método de prevenção é 100% eficaz. O preservativo confere um grau de proteção muito alto se utilizado da maneira correta. Recomenda-se que, especialmente no sexo anal, se utilize um gel lubrificante à base de água, pois o ânus não possui lubrificação natural e a camisinha pode romper com o atrito.

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