Especialista diz que é preciso repensar política focada nas energias renováveis

Especialista diz que é preciso repensar política focada nas energias renováveis

Publicado em 2/6/18 às 2h56
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A espera de horas em filas quilométricas para abastecer os carros foi cenário comum durante a paralisação dos caminhoneiros. Esse quadro mostrou como os motoristas dependem do combustível fóssil e como existe a necessidade de pensar em alternativas para a geração de energia.

Quem faz o alerta para a reflexão é a doutora em Gestão Pública pela FGV, diretora do World Resources Institute (WRI-Brasil) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Rachel Biderman. “Além dos preços abusivos, estamos reféns também da falta de uma política energética focada nas energias renováveis, perdendo na competição com outras economias emergentes que já aderiram às mesmas”, explica.

A especialista em conservação da natureza ainda ressalta que a queima de combustíveis fósseis gera enormes impactos na saúde das pessoas e no meio ambiente. Os gases emitidos pelos escapamentos dos veículos são altamente poluentes e agravam o efeito estufa e mudanças climáticas que, por conseguinte também afeta as hidrelétricas e deixa os rios vulneráveis a períodos de seca. “Um círculo vicioso na série de consequências causadas pela queima dos combustíveis”, alerta a doutora.

Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que, em todo o globo terrestre, nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído e contaminado. Segunda a OMS, a falta de pureza do ar está associado a vários problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doença pulmonar obstrutiva crônica.

A estimativa feita pela organização é que 7 milhões de pessoas morrem todos os anos por problemas causados diretamente pela poluição. Para a gestora pública, Rachel Biderman a crise demonstra que os últimos governos não priorizaram o planejamento energético e as energias renováveis, como a solar e eólica. “A política que a gente tem hoje não contempla ganho de escala. Precisamos melhorar os incentivos para que o uso dessas energias seja relevante no Brasil”, explica.

Exemplos de alternativas para geração de energia estão em países como China, Índia e México. O avanço no uso de alternativas energéticas é resultado da criação de políticas públicas, pacotes de pesquisa e o uso de subsídio público que viabilizam projetos.

Para Rachel, o Brasil vai avançar quando ouvir mais as universidades, pesquisadores e empreendedores que estão trazendo soluções na área de energia renovável. “É preciso criar políticas públicas e priorizar investimentos no setor para alavancar essa economia”, conclui.

 

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